A carga tributária bruta do Brasil, definida como a razão entre a arrecadação tributária dos três níveis de governo (inclusive para a seguridade social) dividida pelo produto interno bruto (PIB), declinou nos últimos dois anos, como se vê no quadro seguinte.
Os dados são da Receita Federal e o declínio, considerado temporário, reflete a diminuição da atividade econômica em razão da crise internacional de 2008 e das isenções tributárias concedidas pelo governo federal para sustentar a demanda por certos bens duráveis.
Reflete, também, a elasticidade-renda dos tributos, estimada em magnitude superior a um, pelo que as mudanças no PIB, em qualquer direção, tendem a se propagar mais que proporcionalmente à arrecadação tributária.

É interessante notar que uma evolução semelhante ocorreu nos países da Organização do Desenvolvimento e Cooperação Economica (OCDE), ainda considerado o clube dos países ricos mas que está admitindo diversos países emergentes. (O Brasil fez a opção de não se filiar à OCDE, entretanto participa ativamente de diversos dos seus comitês técnicos.)
O quadro abaixo mostra, com base em dados da OCDE, a carga tributária bruta, média, dos países membros daquela organização.

A tabela seguinte, que resulta da comparação dos dados apresentados acima, revela o notável fato de que a carga tributária do Brasil convergiu para os números da OCDE.
Carga Tributária OECD e Brasil 2000-2009 | |||
OCDE | Brasil | Diferença | |
2000 | 36,2 | 30,4 | 5,8 |
... | |||
2007 | 35,4 | 34,7 | 0,7 |
2008 | 34,8 | 34,4 | 0,4 |
2009 | 33,7 | 33,6 | 0,1 |
Enquanto no ano 2000 a OECD tinha, em média simples, uma carga de 36,2% do PIB, a carga brasileira, registrando 30,4% do PIB, ficava 5,8 pontos percentuais aquém. Mas em 2009 essa diferença praticamente se anula, alcançando o valor de 0,1% do PIB--estatisticamente indistinguível de zero.
Com a retomada da economia em 2010 e a gradual eliminação da medidas isencionais temporárias, espera-se que a carga tributária comece a crescer de novo ou pelo menos que deixe de contrair-se. Será interessante observar como o impulso tributário brasileiro se comportará em relação à OECD, normalmente considerado um grupo de países de alta tributação.
Por: Isaias Coelho (pesquisador sênior do NEF)
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirbacan está materia.
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